quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

13 de janeiro

Dois anos se passaram desde aquele domingo estranho, que a chuva e o sol, intercalados se faziam presentes. Dois anos daquela cama de solteiro, do quarto da minha melhor amiga como testemunha, tendo como fundo as vozes alteradas na garagem diante de um jogo de tabuleiro, sob a influência de doses fortes de tequila.

Dois anos daquele sim, que já nem era novidade pra você. Dois anos, que parecem ter passado em minuto diante dos meus olhos.

Nos últimos dois anos você virou Analista de Sistemas, foi professor de adolescentes, tomou alguns porres, perdeu algumas provas, perdeu dinheiro, perdeu dois telefones celulares, e cortou a longa cabeleira que tanto gostava.

Eu defendi monografia e colei grau em Comunicação, passei no vestibular pra Direito, comecei a trabalhar, pintei o cabelo de preto, perdi alguns amigos, perdi nossas fotos, tirei o aparelho nos dentes que tanto detestava.

Nesses dois anos a gente passou um Carnaval inteiro na cama, e o outro sem nos falar. Nesses dois anos a gente terminou e passou 6 meses separados, neste tempo você doou sangue pra minha mãe e eu coloquei um bilhetinho na sua carteira dizendo que te amava. A gente brigou algumas vezes, e eu chorei a maioria delas. A gente passou um mês sem se falar, e eu costumava ficar parada na esquina do Bombonzão pra te ver sair do trabalho.

Nesses dois anos a gente descobriu que estar junto do outro ficou mais prazeroso depois desse tempo; e é bom até quando não temos dinheiro pra comemorar nosso aniversário, e tudo que nos resta é um filme de terror tosco e uma barra de chocolate branco.
Nesses dois anos eu guardei todos os nossos bilhetes do cinema.

A gente começou a estudar juntos, e se ajudar todos os dias. Você ainda reclama da minha preguiça pra malhar, e eu da sua pra estudar. O videogame ainda nos faz brigar, assim como as ligações repetitivas. Eu já não odeio seu "novo melhor amigo" como antes. Você ainda reclama de tudo que eu cozinho. Finalmente passamos o Natal juntos, e foi uma noite divina.
E nesses dois anos eu aprendi a entender teu jeito, a estudar tuas reações, a imaginar o que você vai me dizer...

E mesmo que às vezes tudo pareça escuro, eu percebo que se naquele domingo eu não tivesse te dito SIM, minha vida seria o mesmo marasmo sem graça que foi até eu te conhecer. E que há dois anos, eu me sinto viva. Porque até a dor, que inevitavelmente vem me visitar, é um sinal de que eu vivo... com toda e a maior intensidade.

Obrigada por tudo, espero mesmo te fazer tão bem como tu me fazes.
Parabéns para nós dois!


Ossos do ofício

Todo dia ela faz tudo sempre igual: o despertador toca às 6h40, me levanto às 7h, depois do banho encaro a granola com banana, tento deixar o cabelo comportado e até apelo pra chapinha, me arrumo da forma mais sóbria que posso ( nem sempre consigo). Encaro uma carona com meu pai, o trajeto inteiro ao som de Benito de Paula. Entro no prédio, sempre com a mesma cara de susto, quando percebo que não troquei a bolsa de caveiras e chaveiro de VACA por uma mais discreta, disparo um bom dia para as recepcionistas, subo as escadas (ofegante), tomo dois copos generosos de água... e é mais um dia de trabalho.
Recebe processo, carimba processo, assina processo, procura processo, apensa processo, perde processo, arquiva processo, anexa documento, junta ofício, imprime despacho, carimba despacho, despacha o despacho, tira xérox, desce às escadas, sobre às escadas, toma café... tudo isso na primeira hora do dia. Nas seguintes, ócio.

E eu não posso negar que me sinto desapontada. Porque eu me vejo , tão sem crédito diante dos outros, dá vontade de gritar "droga, que serviço de burro, me mandem escrever alguma coisa, eu tenho nível superior, eu tenho capacidade". Mas seria pedante demais pra quem começou agora, pra quem nunca soube o que é precisar de um salário do fim do mês, e pra quem ainda tem um restinho de humildade pra se dispor.

Sim, me sinto diminuída. Não aproveito nem 1% do que tenho melhor em mim. Mas...
a verdade é que quando eu desisti do jornalismo, lancei mão de poder exigir alguma coisa! Quando resolvi recomeçar, agora com o Direito, percebi que um dia tinha que submeter a um trabalho assim.

Porém, estou onde eu queria estar. Não falo de patamar na vida, falo do local, do órgão, da instituição! Começo é começo, vai ser ruim de qualquer forma... e desde que não seja pior do que encarar uma redação paupérrima, com editores-chefes tão inteligentes quanto uma porta; já me dou por satisfeita. Não pretendo mesmo fazer isso a vida inteira, mas se eu não mostrar que sou capaz de pelo menos isso, antes de tudo, quem vai querer ver minhas habilidades, posteriormente? O momento certo é esse, o momento que eu espero ainda não e o certo. Mas ele virá... dessa vez eu sei que virá!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Do ano que passou... e do ano que virá.

Finalmente dezembro chegou ao fim, e mesmo sem ter extrapolado na comemoração da virada, me sinto ressaqueada.
É impressionante, como o dia 1º de janeiro me deixa com essa sensação de cansaço!
Parece que o ano que terminou, foi como uma pilha enorme que fui juntando aos poucos na minha cabeça.. cada mês, uma pedra. E o primeiro dia do ano novo é um misto de alívio, e de cansaço extremo.

Hoje, depois de ter perdido a prática em escrever rotineiramente por aqui, tomo uma taça de vinho e analiso o ano passado como um ano de recomeço. É como voltar a andar, depois de quebrar a perna, ou de voltar a falar depois de tirar as amídalas!

Recomecei os estudos, depois de quatro anos em uma graduação que não me agradava nenhum pouco: encarei noites insones, trabalhinhos de grupo irritantes, tensão pré-prova... e com isso, novos planos, novas metas, novas esperanças. Este novo caminho, me rendeu a chance de trabalhar, de galgar a passos lentos, porém de pés fincados no chão, um pouco mais de asas pra voar sozinha; e uma fresta do que chamam "lugar ao sol..."

Recomecei uma história tão bonita, e que o fim de 2008 transformou em um pesadelo... aprendi com essa mesma história, que o tempo pode ser muito útil se bem aproveitado! Tornei a ouvir "eu te amo" (s) embreagados, debaixo de chuva, ou ao som de Pearl Jam. Foi dificil recomeçar, foi difícil me adequar... e mesmo em dias que parecem ser "um tour pelo inferno", parece que vivemos o melhor de nosso tempo.

E 2010? eu acho que é hora de colher a metade da safra, das sementinhas que plantamos no caminho... continuar arando o terrendo, e usando todas as ferramentas certas pro plantio.

Que ele venha, com suas pedrinhas... estou pronta para carregá-las.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

tensão pré-aniversário

Ok, já se passaram 90 minutos do meu dia.
É madrugada, Bréscia me fez chorar com uma SMS que não parecia nunca acabar.
e eu fico pensando como a vida se mostrou generosa, quando no blog do turmadobar apareceu um comentário da Menina da Lua em minha página!

A casa dorme.
Nelson também dorme, pena que não é aqui aonde eu possa ver.

E eu fico aqui, depois de um dia choroso, achando surpresas no orkut, e em músicas do Jorge Vercillo...
Sorte de Hoje: "Os dias são longos, mas os anos são curtos..."

E lá vou eu, aceitar o conselho da minha menina lunática, desfazer a cara de cu e aproveitar. Ao menos o sono, que me chega agora.



"Vem me pedir além do que eu posso dar
É aí que o aprendizado está.
Vem de onde não sonhei me presentear.
Quando chega o fim da linha e já não há aonde ir
Num passe de mágica, a vida nos traz sonhos pra seguir
Queima meus navios pr'eu me superar, às vezes pedindo que ela vem nos dar o melhor de si

E quando vejo, a vida espera mais de mim, mais além, mais de mim
O eterno aprendizado é o próprio fim!
Já nem sei se tem fim!
De elástica, minha alma dá de si
Mais além, mais de mim
Cada ano a vida pede mais de mim, mais de nós, mais além!

Vem me privar pra ver o que vou fazer!
Me prepara pro que vai chegar.
Vem me desapontar pra me ver crescer!
Eu sonhei viver paixões, glamour, num filme de chorar!
Mas como é Fellini, o dia-a-dia, minha orquestra a ensaiar
Entre decadência e elegância, zique-zaguear
Hoje, aceito o caos."


Eu e a Vida, Jorge Vercillo


sábado, 21 de novembro de 2009

reinventando

criando formas e fórmulas.
mudar é preciso.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

aqui do outro eu consigo me orientar.

Em dias assim, lembra de mim como aquela menininha do sorriso largo, com pedacinhos de metal nos dentes e franjinha caída nos olhos que você conheceu a um tempo atrás. Lembra de mim insinuante, com um osso no cabelo. Lembra da noite de quarta-feira, das pedrinhas na camiseta, da conversa franca. Lembra daquela tarde, daquela piscina, daquela música do Lulu e daquele "eu tô gostando de você" mais inesperado do mundo. Lembra que foi por mim que você se arriscou, lembra dos quadrinhos da Aline, lembra da viagem de ônibus quase interminável... lembra de todo o tempo que eu estive presente, mesmo com você ausente. Lembra que eu não desisti, e te esperei com a certeza de que você ia voltar...

Lembra de mim assim, mesmo que eu não pareça mais nada com a garota por quem você se apaixonou.

domingo, 15 de novembro de 2009

cidade do campo, beira-rio.

Moro em uma cidade pequena e bonita.
Onde o sol raia quase 365 dias por ano com a mesma intensidade.
Onde o céu é limpo e claro; e o mesmo sol que esnoba sua grandiosidade durante o dia, se despede com esplendor.
Minha cidade é verde, escuta-se cantos de pássaros. Vai-se de um extremo a outro em questão de minutos. Não tem cheiro de esgoto, nem buzinaço de carros. E pode-se fazer uma sesta, na rede, no quintal.
Minha cidade tem estacionamento, tem praia de rios. Bebe-se água da bica, sem gosto ruim. Quando chove a paisagem muda, dá pra sentir cheirinho de mato e o cantar dos sapos. A noite venta frio, e dizem que é a Cruviana que vem nos visitar.
Na minha cidade pode usar relógio, celular, e até aquele colar de ouro herança da família.
Tem pés de mangas carregados, em pleno centro da cidade. Goiaba, acerola, caju.
Tem ruas tranquilas, sem sustos diários, e nem teve apagão.
Aqui o boa noite do Bonner é mais cedo, tem Baré de garrafa de vidro e sorvete de açaí.

E mesmo assim ainda há quem reclame.
Ainda há quem desdenhe.
Ainda há quem desgrace.

ainda há quem não saiba ser feliz aqui.